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Matrioshka

Circuito Art

Matrioshka

Matrioshka parte de um processo criativo coletivo através de encontros virtuais entre as artistas, o Projeto Vênus e a equipe da Bergamin & Gomide.

A Bergamin & Gomide e o Projeto Vênus tem o prazer de apresentar a coletiva Matrioshka, com obras das artistas Flora Rebollo, Giulia Puntel, Janina McQuoid e Paula Scavazzini. A exposição acontece de 19 de setembro a 31 de outubro de 2020.

A exposição será em 3 atos: serão 3 os momentos em que a montagem poderá ser reconfigurada, assim, constitui-se como impermanente, uma vez que o espaço expositivo estará suscetível a transformações conforme obras vão sendo inseridas, reorganizadas ou retiradas.

Enquanto a exposição estiver em cartaz, o conteúdo de comunicação também seguirá o fluxo dessas novas inserções de obras e diálogos. Simultaneamente, o público poderá acompanhar nas nossas redes sociais as transições da exposição, bem como a imprensa, que terá acesso aos novos materiais produzidos até o encerramento da coletiva.

Sobre a exposição:

Ao invés de um fim em si mesma, tratemos de ver a “exposição” como um instrumento ativo na produção e recepção da obra de arte. A exposição pode ser lida como uma constelação que articula esses dois binômios — produção e recepção — em torno dos sujeitos. Assim, são vozes, imagens, culturas, crenças e corpos num movimento determinado por regras, tradições e criações estabelecidas consensualmente por todos.

Segundo se represente a constelação, onde se encontra a artista, a obra, o público, a galeria, e a própria exposição no interior da exposição, todos são os elementos que constituem a Matrioshka, a exposição final em processo. Como linha de demarcação ou fronteira, a constelação pode funcionar no interior de uma cultura, como forma de organizar o tempo, e também pode servir para dividir e definir diversas linhas ou níveis da obra e das criadoras, i.e., as artistas aqui apresentadas.

Em cada linha e em cada tempo, a constelação é diferente, porque desde a representação da obra de arte, e seu complexo de subjetividades não verbais, as fronteiras são mais ou menos visíveis, dependendo do efeito que se busca. Teremos diversas linhas e tempos segundo quem diga “eu” na configuração da exposição coletiva, da exposição individual e das obras criadas como coletivo. E teremos também distintas linhas e tempos segundo o acidente ou impacto que se aplica a produção individual e coletiva, e a exposição que devora tudo dando assim origem a constelação.

A constelação Matrioshka na exposição não só nos serve para marcar linhas e tempos, mas nos leva a ler as ficções das obras aqui expostas, a correlação por vezes harmoniosas, mas também contraditórias, dos sujeitos implicados, dos estilos, das identidades, e do meio da arte. E numa quantidade de tempos, porque as crenças culturais não são sincrônicas com a divisão do tempo e do trabalho no meio da arte, arrastam estágios ou temporalidades anteriores e às vezes, até se poderia dizer, arcaicas.

*Projeto Vênus é a galeria de onde o curador Ricardo Sardenberg desenvolve os seus projetos.

Sobre as artistas:

Flora Rebollo (1983)

Flora Rebollo segue um fluxo incessante e intuitivo com os gestos mais básicos do desenho: rabiscar, colorir, figurar. Suas obras ganham singularidade e corpo a partir das condições que envolvem o próprio fazer, influenciadas pelos estados mentais e espirituais que podem orbitar fugidiamente no interior da artista ou em seu espaço de trabalho.

A curiosidade pelos efeitos da sobreposição de camadas e texturas possíveis com diferentes meios e tonalidades amparam o flerte experimental da artista com a pintura e a colagem. Há também um interesse de Flora em manipular as bordas dos desenhos, rasgando ou furando o papel, moldando formas abstratas ou figurações caricaturais. É nesse equilíbrio entre o forte caráter processual e as escolhas de finalização do trabalho que a obra da artista se apresenta.

Giulia Puntel (1992)

A condição sensorial e a expressão subjetiva das obras de Giulia Puntel sobrepõem sua habilidade formal com a pintura. As situações apenas insinuadas que surgem nas complexas composições pictóricas da artista suspendem identidades e naturalizações fáceis. As figuras distorcidas e criaturas sugestivas de suas telas hipnotizam quem as encontra.

Esse imaginário visual é profundamente lírico, reflexivo e enigmático. Estruturado por um repertório onde partes ou recorte de um todo não são revelados, mesmo quando calcado na representação de algo concreto, ela coloca em dúvida as posições de verdade e reconhecimento em torno do objeto. Giulia busca dar foco e transparência para aquilo que soa evidente e, ainda assim, é indizível, fantasmagórico.

Janina McQuoid (1989)

Para não falar em improviso, a pesquisa artística de Janina McQuoid envolve fazer um gato. Ao experimentar livremente com os materiais moles e suas sobras, com pedaços de coisas que já existem e carregam algumas formas, suas obras retém memórias e sensações que aguçam nosso instinto curioso de traçar desenhos e histórias apenas com a percepção. Num balanço entre o familiar e o inquietante, cada peça encobre fantasias irônicas e bem-humoradas, que revelam atenção e abstração do olhar. Os objetos, os temas e seres que estimulam seu apetite artístico carregam sempre consigo algum tipo de recordação, e as consequentes deformações da memória, não como analogia formal simples, mas por sentimentos espontâneos.

Suas escolhas figurativas, irônicas ou bem-humoradas, estão associadas ao rabisco livre, não porque são imagens em estágio de esboço, mas porque podem se referir também ao que foi reduzido e desgastado pelo tempo. Janina inventa métodos improváveis para estruturar seus trabalhos, acomodando as possibilidades cromáticas e de textura que surgem ao misturar escultura, objeto, pintura e desenho na mesma composição artística. Com a liberdade que só os trecos podem ter.

Paula Scavazzini (1990)

A vontade particular de Paula Scavazzini com a pintura é movida pelo exercício retratista. Seus personagens policromáticos se lançam para um jogo de afastamento e aproximação, reconhecimento e desconhecimento dos corpos retratados, sejam de pessoas reais ou fictícias, incorporando os desvios que surgem durante o próprio processo artístico.

As composições de Paula podem variar da dramatização para a espirituosidade. Imagens ecléticas de situações vividas ou vistas num cinema, por exemplo, são deslocadas e interpretadas pela artista sob diferentes intenções ocultas, numa experiência de memorização através do fazer pictórico. Além disso, suas obras quase sempre vão de encontro ou, inversamente, se camuflam com o ambiente, refletindo seu interesse constante pelos detalhes vernaculares.

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