Paulo Nazareth: Vuadora

Vuadora reunirá pela primeira vez em uma instituição brasileira um grande apanhado da produção de Paulo Nazareth, um dos artistas mais importantes de sua geração. A mostra, com curadoria de Fernanda Brenner e Diane Limaapresentará uma combinação de trabalhos icônicos das últimas duas décadas – como as séries Cadernos de África e a coleção Produtos do Genocídio – e obras especialmente comissionadas para a ocasião.

Em 2011, Paulo Nazareth partiu de Minas Gerais em uma jornada de milhares de quilômetros até os Estados Unidos, onde participaria de uma exposição na Art Basel Miami. Ao invés de “voar” até este que é um dos mais importantes eventos internacionais de arte contemporânea, Nazareth escolheu percorrer a pé boa parte do que se convencionou chamar de América Latina para chegar ao seu destino.

Descrito pelo artista como uma residência em trânsito – ou talvez uma residência acidental -, o projeto Notícias de América é o resultado de um ano de vivências e trocas intensas com as pessoas que foi conhecendo pelo caminho registradas em uma ampla combinação de imagens, diários e objetos encontrados. Em 2021, dez anos após o marco inicial de uma metodologia de trabalho que o artista vem adotando desde então, o Pivô o convida a revisitar sua condição de errante em face às crescentes restrições de mobilidade impostas por fronteiras econômicas, sociopolíticas e, mais recentemente, sanitárias na segunda década do século XXI. Ao percorrer longas distâncias, Nazareth investiga e expõe as estruturas sociais, políticas e afetivas dos territórios por onde passa.

Sua jornada pessoal é também um retrato das contradições e dos efeitos deletérios do colonialismo, do racismo e do capital global na América Latina e na África, onde nasceu e de onde vieram seus ancestrais. Ao partir de sua cidade natal, Paulo Nazareth levou apenas cinco itens: sua vida, o passaporte, um disco rígido e alguns itens pessoais. Ele relata que perdeu tudo menos sua vida, sua carteira e seu otimismo. Nazareth é um nômade radical, um artista que leva o binômico arte-vida às últimas consequências, sempre colocando o próprio corpo e suas experiências a serviço de uma discussão ampla sobre injustiças ancentrais e, através da arte, torna perceptível o que então permaneceria oculto.

GALERIA PIVÔ
29/05 – 31/07/2021

Sobre:

Paulo Nazareth

Paulo Nazareth (Governador valadares, 1977) incorpora em seu trabalho gestos simples, explorando temas, ainda incipientes no circuito nacional e internacional de arte, ligados à imigração, racismo e colonialismo. Embora seu trabalho possa se manifestar em vídeo, fotografia e objetos colecionados, seu meio mais forte é o cultivo/construção de relacionamentos com indivíduos que cruzam o seu caminho – especialmente aqueles colocados à margem devido ao seu status legal ou reprimidos pelas autoridades governamentais.

Entre suas principais exposições estão: ICA Miami, Miami (2019); Faca Cega, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte (2018); Old Hope, Mendes Wood DM, São Paulo (2017), Genocide in Americas, Meyer Riegger, Berlin (2015), Journal, Institute for Contemporary Arts, London (2014), Premium Bananas, MASP, Museum of Art São Paulo (2013). Participações em mostras coletivas incluem Beyond the Black Atlantic, Kunstverein Hannover, Hannover (2020); 22nd Sydney Biennial, Sydney (2020); Our Selfie, MO Museum, Vilnius (2019); How to talk with birds, trees, fish, shells, snakes, bulls and lions, Staatliche Museen zu Berlin, Berlin (2018); EXTREME. NOMADS, MMK Museum für Moderne Kunst, Frankfurt am Main (2018); The Lotus in Spite of the Swamp, Prospect.4 Triennial, New Orleans (2017); Field Gate, Remai Modern, Sasktoon (2017); Soft Power. Arte Brasil, Kunsthal KAdE, Amersfoort (2016); Much wider than a line, SITE Santa Fe, Santa Fe (2016); New Shamans/Novos Xamãs: Brazilian Artists, Rubell Family Collection, Miami (2016); Indigenous Voices, Latin American Pavilion 56th Venice Biennale, Venice (2015).

Diane Lima

Diane Lima é curadora independente, crítica e pesquisadora. Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, seu trabalho consiste em experimentar práticas curatoriais contemporâneas em perspectiva decolonial. Atualmente integra a equipe curatorial da 3ª edição de Frestas – Trienal de Artes do SESC-SP e desde 2018 assina a curadoria do Valongo Festival Internacional da Imagem. Entre seus principais projetos destaca-se a idealização do programa de arte-educação AfroTranscendence; a curadoria entre 2016 e 2017 do programa de exposições Diálogos Ausentes do Itaú Cultural e a participação em 2018 no Grupo de Críticos de Arte do CCSP. Em 2019 foi co-curadora da Residência PlusAfroT e da exposição coletiva Lost Body – displacement as choreography ambos projetos ocorridos em Munique-Alemanha. Jurada de diversas comissões de seleção e premiação, é docente da Especialização em Gestão Cultural do Itaú Cultural e editorialmente trabalha na co-curadoria de duas publicações de arte contemporânea, uma pela Act. e outra pela editora francesa Brook, ambas no prelo.

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