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Circuito Art

O artista como inventor

A produção de Paulo Nenflidio situa-se em um lugar indefinido entre arte, ciência, tecnologia e design. A possibilidade de agregar conhecimentos das mais diversas áreas está na base de sua postura inquiridora em relação ao mundo. A dupla formação em eletrônica e artes visuais marca o início da trajetória desse artista que tem o poder da invenção. A palavra invenção deve ser entendida aqui no sentido amplo que um dia teve no campo da arte quando os saberes ainda não haviam sido compartimentados em áreas de conhecimento específicas. Inventar é simultaneamente criar e descobrir. E é de criação e descoberta que trata esta exposição.

A matéria-prima de Paulo Nenflidio encontra-se nos fenômenos invisíveis da física e da eletrônica que fogem à nossa percepção, embora sejam parte indissociável da nossa vida cotidiana. Como bem observou Vilém Flusser, a maioria de nós vive uma vida alienada diante dos aparelhos mais banais que utilizamos. Na verdade, pouco sabemos a respeito dos mecanismos que permitem o funcionamento das coisas que nos cercam. Na contramão dessa atitude, Nenflidio interroga as forças da natureza, promovendo a fusão entre conhecimento científico e experiência artística, mediados por uma boa dose de surpresa e poesia.

Para esta exposição o artista produziu seis obras inéditas. Quem conhece a sua produção anterior irá notar o abandono da representação e das formas figurativas em prol de certa abstração. Ele busca agora mobilizar os elementos mínimos capazes de revelar a mecânica inerente a diferentes fenômenos. Dentre as obras, Experimento de suspensão n1 talvez seja a mais emblemática dessa nova poética. Uma rocha se ergue no espaço por meio de um sistema de roldanas e contrapesos, em equilíbrio instável, ativando as propriedades invisíveis da força gravitacional. Entre a estabilidade e a instabilidade, o equilíbrio e o desequilíbrio, Paulo Nenflidio tensiona os espaços e as temporalidades reinventando a relação entre arte e tecnologia.

Universo Invisível foi um dos três projetos selecionados pelo primeiro edital de exposições temporárias do MAC USP realizado em 2019. Antes disso, o museu já possuía uma obra de Paulo Nenflidio em seu acervo, intitulada Horizonte Eólico, doada pela FUNARTE, via Prêmio Marcantônio Villaça em 2014.

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