A Casa da Fazenda Capuava é uma das obras mais singulares do modernismo brasileiro. Projetada por Flávio de Carvalho para sua própria família, a residência foi construída no final da década de 1930, na propriedade familiar em Valinhos, e posteriormente passou por uma importante reforma conduzida pelo próprio artista em 1942. Carvalho viveu ali até sua morte, em 1973.
A casa rompe radicalmente com o modelo tradicional de residência rural. Sua arquitetura combina volumes geométricos, monumentalidade, concreto, grandes aberturas e uma planta centrada em um enorme salão, criando uma relação quase teatral entre arquitetura, objetos, luz, jardim e paisagem. O salão central possui aproximadamente 6,5 metros de pé-direito, enquanto a fachada é marcada por uma porta central de cerca de oito metros de altura.
Flávio de Carvalho também participou diretamente da concepção dos ambientes e de seus elementos interiores. A casa recebeu mobiliário, objetos, máscaras, elementos decorativos e soluções arquitetônicas concebidas ou selecionadas pelo próprio artista, fazendo com que residência e obra se misturassem. A documentação histórica registra ainda cortinas coloridas, lareira de desenho singular, pérgolas e uma piscina incorporada durante a reforma de 1942.
Mais do que uma residência, a Fazenda Capuava funcionou como um espaço de convivência artística e intelectual. Carvalho passou cerca de 35 anos de sua vida no local, e a casa se tornou uma extensão de suas experiências multidisciplinares — arquitetura, pintura, desenho, teatro, escrita, antropologia e performance.
O imóvel é tombado pelo CONDEPHAAT desde 1982 e possui cerca de 650 m² de área construída e 14 cômodos. Atualmente, entretanto, encontra-se interditado. Há um programa de restauro e revitalização com recursos públicos, cujo objetivo é recuperar o patrimônio e criar condições para futura visitação pública guiada e atividades culturais.
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