A Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB) é uma instituição cultural privada e sem fins lucrativos dedicada à preservação, pesquisa e difusão da obra de Vera Chaves Barcellos, além da conservação e divulgação de uma importante coleção de arte contemporânea brasileira e internacional. Criada a partir da iniciativa da própria artista e de seu companheiro, Patrício Farias, a Fundação começou a ser estruturada em 2003, tendo como origem a doação de obras de Vera e de sua coleção particular. A instituição passou a atuar publicamente em 2005 e consolidou sua sede expositiva em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre.
O principal espaço da Fundação em Viamão é a Sala dos Pomares, inaugurada em 2010 e especialmente concebida para receber exposições de arte contemporânea. O conjunto também abriga a Reserva Técnica, oficinas, espaços de trabalho e o Programa Educativo, formando uma estrutura dedicada não apenas à exposição, mas também à preservação, pesquisa e produção de conhecimento sobre arte.
A coleção da FVCB reúne mais de 4 mil obras de mais de 700 artistas, constituindo um dos conjuntos privados de arte contemporânea de maior relevância no Brasil. O acervo contempla diferentes linguagens, como fotografia, gravura, desenho, pintura, instalação, vídeo, arte postal e outras manifestações experimentais. Entre os artistas representados estão nomes como Mira Schendel, Anna Bella Geiger, Waltércio Caldas, Paulo Bruscky, Julio Plaza, Regina Silveira, Christo, Joan Fontcuberta, Antoni Muntadas, Cildo Meireles e Cao Guimarães, além de aproximadamente mil obras relacionadas à produção de Vera Chaves Barcellos.
Um dos aspectos mais importantes da Fundação é justamente sua relação com a trajetória de Vera Chaves Barcellos, artista fundamental para compreender a arte experimental e conceitual brasileira a partir do Rio Grande do Sul. Sua produção atravessa fotografia, instalações, objetos, vídeo, arte conceitual e experimentações com novas mídias. A Fundação preserva não apenas suas obras, mas também um extenso conjunto documental relacionado à sua trajetória, ao Nervo Óptico, ao Espaço N.O. e à Galeria Obra Aberta, iniciativas fundamentais para a história da arte contemporânea gaúcha.
Esse patrimônio documental é particularmente expressivo: o Centro de Documentação e Pesquisa reúne mais de 12 mil documentos, incluindo fotografias, correspondências, catálogos, livros, revistas, jornais, convites e outros registros relacionados a milhares de artistas e instituições. A Fundação também mantém uma biblioteca especializada.
A atuação da FVCB ultrapassa, portanto, o modelo tradicional de museu. A instituição desenvolve exposições, programas educativos, visitas mediadas, cursos, debates, encontros com artistas, projetos editoriais, ações de pesquisa e iniciativas de digitalização e disponibilização pública do acervo. Desde 2023, a Fundação vem desenvolvendo um projeto de digitalização de sua coleção e, em 2024, lançou uma plataforma online para ampliar o acesso às obras e facilitar a pesquisa.
A relação com Viamão também é significativa. Inserida em uma região historicamente com menor oferta de instituições dedicadas à arte contemporânea, a Fundação desenvolve ações de formação de público e educação artística em parceria com escolas e instituições locais. Em 2025, a FVCB firmou um termo de cooperação com a Prefeitura de Viamão envolvendo as áreas de Educação, Cultura e Turismo.
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