O Yokoyama Taikan Memorial Hall ocupa a antiga residência de Yokoyama Taikan, um dos maiores nomes da pintura japonesa moderna. Taikan mudou-se para Ikenohata em 1908 e permaneceu ligado ao local até sua morte, em 1958. Durante aproximadamente meio século, foi ali que viveu e realizou uma parte fundamental de sua produção artística.
A residência atual foi construída em 1919, seguindo um projeto de estilo sukiya-zukuri, tradicional da arquitetura residencial japonesa, e foi concebida sob orientação do próprio Taikan. O artista também participou da criação do jardim, buscando uma relação extremamente próxima entre arquitetura, natureza e espaço de criação.
O aspecto mais importante para nossa pesquisa é que a casa funcionava simultaneamente como residência e atelier. O local não é apenas uma reconstrução de um ambiente de trabalho: foi efetivamente o lugar onde Taikan viveu e produziu suas obras. O próprio patrimônio cultural japonês descreve o conjunto como “atelier e residência” do artista.
Durante os bombardeios de Tóquio na Segunda Guerra Mundial, a residência foi destruída pelo fogo, restando apenas o depósito e alguns elementos de pedra do jardim. Em 1954, entretanto, a casa foi reconstruída praticamente seguindo a mesma configuração da construção anterior, preservando sua relação espacial e estética com o jardim. Taikan voltou a viver e trabalhar ali até sua morte.
O jardim é particularmente importante. Taikan tinha uma relação muito forte com a natureza e utilizava o próprio ambiente como fonte de inspiração. Árvores, pedras, água e mudanças sazonais do jardim aparecem relacionados à sensibilidade visual de sua pintura. A propriedade é reconhecida justamente pelo valor conjunto de residência + jardim + produção artística.
Em 1976, a antiga residência foi aberta ao público como o Yokoyama Taikan Memorial Hall, conforme a vontade expressa pelo artista de que o local deixasse de ser uma propriedade privada e passasse a servir à comunidade artística.
O museu conserva pinturas de Taikan, sua coleção de arte e objetos relacionados à sua vida. A exposição é modificada periodicamente, aproveitando os próprios ambientes da residência para apresentar as obras. O visitante entra no espaço sem sapatos, como numa casa japonesa tradicional, o que ajuda bastante a preservar a atmosfera doméstica original.
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